Roteiro do Patrimônio Histórico e Arquitetônico

O Roteiro do Patrimônio Histórico e Arquitetônico é uma proposta de visitação que convida o visitante a explorar os edifícios e espaços que marcaram a história e a cultura de Cuiabá. Este percurso contempla museus, casarões históricos e monumentos que, juntos, contam a trajetória da capital mato-grossense, desde o período colonial até os dias atuais. 

Mais do que um trajeto fixo, o roteiro é um convite aberto a vivenciar a arquitetura, a arte e a memória da cidade.

Beco do Candeeiro
O Beco do Candeeiro está localizado na Rua 27 de Dezembro, uma das ruas mais antigas do Centro Histórico de Cuiabá. Sua origem remonta ao século XVIII, quando servia como um dos principais acessos às minas de ouro conhecidas como Lavras do Sutil, que impulsionaram o desenvolvimento econômico da região.
Museu da Imagem e do Som de Cuiabá - MISC
O Museu da Imagem e do Som de Cuiabá (MISC), que homenageia o fotógrafo armênio- brasileiro Lázaro Papazian, conhecido como “Cháu”, foi criado em 2006 para ser um centro de imagem e som das culturas de Cuiabá e Mato Grosso. Ele está instalado no antigo Sobrado do Alferes Joaquim Moura, uma das construções coloniais mais emblemáticas no coração do Centro Histórico de Cuiabá. A casa, um sobrado de dois andares com varanda, é um exemplo de resistência ao tempo e à ação humana, e em seu pátio interno há um dos 23 poços ainda em funcionamento no centro histórico. O prédio foi restaurado a partir de um projeto de revitalização do centro antigo da cidade.
Casa Tur
O imóvel que hoje abriga a Secretaria Municipal de Turismo de Cuiabá, conhecido como Casa Tur, está situado no coração do Centro Histórico, na Rua Voluntários da Pátria, nº 118, esquina com a Rua Ricardo Franco. Construído por volta de 1790, o casarão colonial é um dos remanescentes mais significativos da arquitetura setecentista cuiabana. Foi residência de figuras proeminentes da sociedade local, como o coronel Manoel Peixoto Corsino do Amarante e sua irmã Balbina Amarante Orlando, reconhecida por sua atuação filantrópica e relevância social.
Casa de Adobe
A Casa de Adobe, situada em um casarão do século XIX no centro histórico de Cuiabá, é muito mais do que um espaço cultural e gastronômico. Ela representa uma notável jornada de restauração e um modelo de como o patrimônio histórico pode ser revitalizado para o futuro, mantendo vivas suas memórias e tradições.
Casa de Bem Bem
Localizado na tradicional Rua Barão de Melgaço, no Centro Histórico de Cuiabá (antiga Rua do Campo), o casarão conhecido como Casa de Dona Bem Bem é um dos ícones da memória afetiva e cultural cuiabana. Construído por volta de 1850, o imóvel é um exemplar típico da arquitetura colonial urbana, com paredes em adobe, janelas com guilhotinas e telhado em telha canal, preservando elementos originais que refletem a ambiência doméstica do século XIX na capital mato-grossense.
Casa Barão Melgaço
O casarão histórico localizado na Rua Barão de Melgaço, no Centro de Cuiabá, é um dos mais emblemáticos exemplares da arquitetura colonial urbana de Mato Grosso. Construído entre 1775 e 1777, o imóvel abrigou, a partir de 1843, a residência do Barão de Melgaço — título concedido a Augusto João Manuel Leverger, militar e engenheiro francês naturalizado brasileiro, que se destacou como Presidente da Província de Mato Grosso e como uma das figuras intelectuais mais influentes do século XIX na região. Sua profunda ligação com a cultura local fez do endereço um centro de encontros políticos e culturais da época.
Clube Feminino
O Clube Esportivo Feminino de Cuiabá, fundado em 19 de abril de 1928, sob a liderança da professora, musicista e dramaturga Zulmira D’Andrade Canavarros, representa um marco na história do protagonismo feminino em Mato Grosso. Criado em uma época em que os espaços públicos de convivência eram dominados por homens, o clube surgiu com a proposta inovadora de reunir mulheres da elite intelectual, política e econômica cuiabana para promover não apenas atividades esportivas, mas também culturais, educativas e filantrópicas. Tornou-se um centro vibrante de sociabilidade, refinamento e engajamento cívico, oferecendo às mulheres um espaço para expressarem suas ideias, talentos e ações voltadas ao bem coletivo.
Cemitério da Piedade
Fundado entre 1817 e 1819, o Cemitério da Piedade é o primeiro cemitério público da então Província de Mato Grosso e um dos mais antigos do Brasil ainda em funcionamento. Instalado em uma área que hoje corresponde ao coração do Centro Norte de Cuiabá (Rua São João, bairro Dom Aquino), ele surgiu para atender às novas exigências sanitárias do século XIX, quando se passou a proibir os sepultamentos em igrejas e adros. A demarcação com muros altos, portão de ferro e capela anexa refletia não apenas medidas de saúde pública, mas também uma nova concepção urbana e simbólica da morte.
Museu Residência dos Governadores
A antiga Residência Oficial dos Governadores de Mato Grosso, localizada no Centro Histórico de Cuiabá, é um dos mais emblemáticos marcos da arquitetura e da história política do estado. Foi construída entre 1939 e 1940, durante o governo do interventor federal Júlio Müller, sendo o primeiro edifício oficialmente erguido pelo Estado em sua capital. O projeto foi assinado pelo arquiteto Humberto de Araújo Kaulino, que adotou o estilo neocolonial com influências californianas, corrente estética que se consolidava no Brasil na década de 1930, especialmente no Rio de Janeiro.
Arquivo Publico
Instalado em um prédio histórico de 1941, originalmente construído para ser a sede da Secretaria Geral de Mato Grosso, o atual Arquivo Público do Estado é um marco da arquitetura art déco cuiabana. Projetado pelo engenheiro Cássio Veiga de Sá e erguido pela firma Coimbra Bueno, o edifício já abrigou importantes repartições públicas, como a Secretaria de Educação e a Secretaria de Fazenda. Desde 2002, tornou-se sede do Arquivo Público, que resgata sua cor verde original em homenagem ao apelido da capital, “Cidade Verde”.
Palácio da Instrução
O Palácio da Instrução, inaugurado em 15 de agosto de 1914 durante o governo de Joaquim Augusto da Costa Marques, é um símbolo histórico e arquitetônico de Mato Grosso. Erguido em um terreno de 4.757 m², onde antes havia um antigo quartel em ruínas, o edifício foi projetado para abrigar instituições de ensino, refletindo a visão de modernidade e progresso da época. O prédio possui 27 salas, 4 gabinetes, sanitários, um vestíbulo, 2 pátios internos e um salão nobre, totalizando 2.572 m² de área construída em dois pavimentos. A estrutura impressiona por seus alicerces de pedra-canga e cristal e paredes espessas de adobe, com aproximadamente 0,80 m de largura.
Bica da Prainha
A Bica da Prainha, localizada no Centro de Cuiabá, remonta ao sistema de abastecimento urbano colonial do final do século XVIII. Conhecida como “Fonte de Maria Corrêa”, foi mencionada em 1781 nos arquivos da vila de Cuiabá como “Bica” e era a principal fonte de água potável para os moradores da então Vila Real. Trata-se de uma antiga torneira de água encastrada em alvenaria na margem do córrego Prainha. Embora o monumento original tenha sido substituído por uma reprodução simbólica, ainda é possível observar vestígios da canalização colonial e base de pedra onde funcionava o sistema original.
Chafariz do Mundéu
O Chafariz do Mundéu, construído em 28 de novembro de 1871 por ordem do presidente da Província de Mato Grosso, Dr. Francisco José Cardoso Júnior, foi projetado pelo engenheiro militar Francisco Nunes da Cunha como solução pública para o abastecimento de água potável na região do bairro Mundéu, então próspero e densamente habitado. O sistema era abastecido por um reservatório alimentado pelas nascentes do Córrego Maranhão, canalizado até a fonte situada na antiga Praça do Mundéu, hoje Praça Bispo Dom José.
Museu do Morro da Caixa D’água Velha
Em 1882, no alto do Morro da Caixa d’Água Velha, foi inaugurado o reservatório, com capacidade para 1.000 m³ de litros, o sistema atendia cerca de 20 mil cuiabanos por gravidade, graças a uma máquina a vapor que captava água do Rio Cuiabá e a conduzia por canos de ferro fundido até fontes (“bicas”) espalhadas pela cidade. O abastecimento finalizava-se em carroças, charretes ou mesmo no esforço humano, retratando a logística urbana do período.
Sesc Arsenal
O Arsenal de Guerra, originalmente batizado como Real Trem de Guerra, é um dos mais notáveis exemplares do patrimônio histórico e arquitetônico de Cuiabá. A sua origem remonta a 1818, quando uma Carta Régia de D. João VI o criou como um estabelecimento militar essencial para a manutenção e fabricação de armas e munições na província. A construção teve início em 1819, sob o comando do Capitão General Francisco de Paula Magessi Tavares de Carvalho, e foi concluída em 1832, ano de sua inauguração. Em 1831, a edificação foi oficialmente designada como Arsenal de Guerra da Província de Mato Grosso, solidificando seu papel estratégico.
Museu do Rio
O edifício, construído em 1899 para ser o Mercado do Peixe, era um ponto vital na beira do rio Cuiabá. Ali, pescadores e ribeirinhos comercializavam seus produtos, tornando o local um centro de efervescência cultural e econômica. O prédio foi tombado pelo Governo do Estado em 1983 e, em 1999, para comemorar o seu centenário, foi totalmente restaurado pela Prefeitura de Cuiabá. A revitalização transformou o local no Museu do Rio Cuiabá "Hid Alfredo Scaff". A homenagem é a Alfredo Scaff, um proeminente comerciante de ascendência árabe, morador da região do Porto e conhecido por sua contribuição para a economia local e navegação fluvial no rio Cuiabá.